INTERLÚDIOS
As músicas que estão em nós,
os versos, sonhos, as saudades...
fazem-nos múltiplos.
Contemporâneos, às vezes.
Passado quase sempre.
Tocamos as coisas
em dó maior do que sabemos
enquanto a pena
rege um texto sem musicalidade alguma.
A vida é uma representação
de vagas sensações
que nos concretizam
resultado de ilusões arrítmicas.
O hoje é executado pelo ontem
ainda que não exista amanhã
e tudo isto nos transcende
à harmonia do infinito que imaginamos.
As músicas em nós
nos acordes se desatam
acalmando os desalinhos
que o silêncio faz na alma
que se orquestra em interlúdios
de um efêmero que não passa.
Paulo Franco
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