O PECADOR
Do concreto acato os desacatos
que me acolhem
como quem daninhas ervas
num jardim de prantos colhe.
Acolho nos olhares que me entornam
sentimentos que transtornam
o que a face esconde
no semblante que não ri.
Pecador me perco
a me procurar
meio a parábolas
que não entendi.
Contorno os entornos de uma fé
que não possuo pra não ser ateu
e me absolvo dos pecados
que não cometi.
E possuído pela inexatidão do agora
passo a limpo o amanhã
e me confesso por aquilo que não fiz
para quem sabe ser o condenado pelo que não sei.
E me pergunto, pecador:
Por que me invade esta verdade que transcende
e que ninguém verá
posto que a vida que ninguém entende
gera perguntas sobre o que será?
Paulo Franco
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